freguesia

história

Portimão foi povoado pré-histórico, entreposto comercial fenício, grego e cartaginês. Com os romanos torna-se muito conhecido devido ao seu excelente porto. Em simultâneo com Silves e Alvor, Portimão foi um pequeno centro de pesca que 1290 os Cavaleiros da Ordem de Santiago conquistaram aos muçulmanos.

Em 1453 foi elevado a vila. Com a construção dos fortes de S. João, em Ferragudo e Santa Catarina, na Praia da Rocha, a vila de Portimão passou a ser defendida dos constantes ataques de piratas e corsários.No século XIX a indústria conserveira faz renascer, de novo, a antiga vila, tornando-se num dos principais portos de pesca de Portugal. Em 1924 é elevada a cidade.

Estabelece-se uma estreita relação entre a pesca e o porto de Portimão que se mantém actualmente. Não são raras as vezes que os turistas procuram sabor único de uma sardinha assada comida no velho cais de Portimão, onde as comem apenas lavadas na água do mar e assadas em grelha de carvão com um pouco de sal.

Já nos finais do século muitos banhistas hospedavam-se nas casas e quintas que rodeavam a costa, disfrutando da grande atracção que era a Praia da Rocha ou Praia de Santa Catarina. Em 1894 Julião Lourenço Pinto faz uma das primeiras descrições da "singular e pitoresca praia, como certamente não há outra no país em equivalência de encantos e em condições hidrográficas tão vantajosas".

Em 1910, a 1 de Agosto, abre o Casino da Praia da Rocha, sintoma da crescente afluência de gente a esta estância, marcando uma fase de melhoramentos contínuos que vão atrair aqui a aristocracia do sul do País e da Andaluzia. O lugar povoa-se assim de casas e chalets onde se acolhem numerosos turistas.

"O primeiro hotel a ser construído, o Hotel Viola da primeira década do século XX, não é suficiente para toda a procura e em 1932 é ampliado. Em 1936 é construído o Hotel Bela-Vista."

"Ao falar de Portimão, não se poderia deixar de fazer referência a um dos seus filhos mais ilustres. Aqui nasceu Manuel Teixeira Gomes, em 27 de Maio de 1860.

Viajante, diplomata, político e intelectual humanista, tem uma obra literária de vulto na qual a sua região natal está sempre presente, até à sua morte no exílio argelino, em Outubro de 1941.

Portimão, em particular, nunca deixou de fazer parte do universo de Manuel Teixeira Gomes quando viajava pela Europa, pelo Norte de África, pelas costas do Mediterrâneo, quando, em Londres ou em Lisboa, exercia cargos diplomáticos e políticos.

Este algarvio ainda hoje desconhecido por algumas das nossas gentes escreveu páginas magníficas sobre o Algarve, considerando-o: "a mais amorável e suave paisagem que talvez existia no mundo".

A terra onde nasceu, é-nos apresentada como um roteiro cheio de visualização descritiva da Ponte do Alvor à Ponte da Piedade - Portimão, Ferragudo, o Arade, a Serra. Esta escrita pictural apaixona-nos e deslumbra-nos.

Manuel Teixeira Gomes, foi um devoto da cultura grega para quem o Belo e a Estética são valores fundamentais para a vivência humana. As suas viagens foram como navegações pelo mundo da arte, detendo-se demoradamente em museus e deliciando-se na contemplação repetida de quadros e esculturas.

Como diplomata e Presidente da República que foi, procurou mais prestar um serviço, do que buscar honras ou proveitos, sacrificando por isso bem-estar, ou privando-se da ternura dos filhos e da mulher a quem muito queria.

É com verticalidade que renuncia à Presidência da República e se refugia num exílio a si próprio imposto, onde se sentiu como um "prisioneiro liberto, após o cumprimento de longa e rigorosa pena", como tão bem confessou a Columbano, seu grande amigo e confidente. Quase cego, longe de sua terra continuou a vê-la e a descrevê-la com o olhar interior de quem tão bem a soube conhecer e amar."